- Docente: Nazare Torrão
O conceito de normalidade e de anormalidade é imposto pela sociedade sem qualquer ambiguidade, através de normas e modelos. O corpo e as práticas a ele ligadas, como as sexuais ou da alimentação, sofrem uma codificação e regulamentação social, em que qualquer desvio à norma é punido com recriminação e repúdio dos faltosos. Apesar da tradição cristã ocidental veicular a ideia do indivíduo como corpo e espírito, na atual sociedade materialista e hedonista, o corpo, torna-se o elemento mais importante, porque imediatamente visível e por isso avaliado, servindo como elemento classificativo e de exclusão. Numa sociedade patriarcal e machista, as mulheres estão particularmente sujeitas a estereótipos de normalidade, no que diz respeito à beleza, ao papel social e ao comportamento moralmente aceitável. Podemos ver as mulheres como um corpo social, o mais numeroso, mas outros grupos sociais são marginalizados. No romance A Gorda, de Isabela Figueiredo, analisaremos a protagonista à luz destas questões, bem como uma galeria de personagens que, de uma forma ou de outra, se desviam do conceito de normalidade aceite e o caminho de cada um para, apesar disso, encontrar (ou não) o seu lugar na sociedade castradora. As problemáticas do retorno das ex-colónios e do colonialismo serão ainda consideradas.